segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

TENATATIO-ONIS - A TENTAÇÃO

CAPÍTULO 6



Deixei a minha sala com a já folclórica enorme nécessaire. Alan já começou a me gozar. Tinhs que fazer uma nova maquiagem.

-Onde é a festa? Eu também quero ir?

-Vai à merda! Convide sua mulher para sair enquanto ela não arruma outro. Deixe de ser galinha!

-Eu não sou galinha, minha querida. Gosto de mulher.

-Mas eu não gosto de você, estamos entendidos?

Como sempre, acabávamos rindo, mas eu, realmente, detestava Alan. Para mim, ele era um robô que Paulo trouxe do Japão para ser o novo editor-executivo. Era dura demais com Alan, mas era preciso. Quero um relacionamento unicamente profissional com ele.

Era inevitável. Toda vez que passava com minha enorme nécessaire em direção ao banheiro, os engraçadinhos assobiavam. O editor de esporte perguntou se eu estava “naqueles dias”. Disse-lhe como ele estava ultrapassado. Mulher moderna não menstrua mais. Indaguei se a mulher dele não sabia que havia vários recursos para suspender a menstruação, algo horrível para quem sofre de forte TPM.

Minha nécessaire tinha de tudo. Era quase uma bolsa da Mary Poppins. Amo o filme sobre a adorável babá inglesa. Tinha todo tipo de maquiagem, da Avon, Lancôme aos produtos da Mac; calcinhas; lenços umedecidos para higiene íntima e outros para bebês, utilizados para limpar as axilas e retocar o desodorante; Leite de Rosas; produtos para tirar a maquiagem; algodão; meus dois perfumes prediletos; e um aparelho para curvar os cílios.

Quando eu já tinha feito quase tudo e iniciei a maquiagem, senti os sintomas iniciais da Síndrome do Pânico. Parei tudo e fiz exercícios de respiração. Só então me dei conta que eu estava me preparando com todos os requintes para o dono do jornal. Senti calafrios e vontade de chorar. Lúcia entrou no banheiro e percebeu que eu não estava bem. Desabei em prantos. Ela não me perguntou nada. Abraçou-me e disse: - Vai passar. Mal a conhecia, mas deu para perceber que ali estava um ser humano decente. Só disse que estava com muito medo. Ela ficou um tempo comigo, fazendo os malditos exercícios de respiração. Perguntou-me se eu queria um Rivotril. Aceitei porque poderia necessitar mais tarde.

Não conseguia compreender o turbilhão de emoções que ocorriam. Tive que passar a loção para tirar a maquiagem, usar o tônico e passar a base. Desta vez, não chorei. Fiz uma maquiagem sexy, sem ser vulgar, com um ar mais natural. Usei perfume até nas partes íntimas. Pensei: seja o que Deus quiser! Arrumei meus cabelos passando uma chapinha. É claro que, ao sair, foi outro festival de fiufiu. Resolvi levar na brincadeira e desfilei para a editoria de economia.

Já passavam das oito e meia da noite. Ainda não tinha subido para a sala do Paulo. Esperava um momento mais discreto. Meu celular toca. É o próprio diabo.

-Suzana, você vai me dar um bolo?

-Não. Só busco uma maneira de subir sem ser notada.

-Você é muito preocupada com o que os outros pensam. Sobe agora.

Eu subi. Ele logo disse: -Hum, isso tudo é para mim. Gostei.

Eu perdi o controle.

-Paulo, eu e você temos a mesma idade. Tenho celulite, estrias e minhas pernas estão flácidas por causa do período longo em que estive doente. Não sou prato para o seu cardápio. Sou carne velha para um homem quase cinqüentão, que só come modelos de 20 anos.

-Perdoe-me. Esqueci que você é muito sensível e deve estar nervosa. Também estou.

-Duvido. Onde vamos? Não almocei e apenas comi frutas, tomei leite de soja e comi queijo cottage.

-Então, minha querida, você vai ter o que quiser. Será um banquete.

O Jornal Nacional acabou. Não gostei do novo corte de cabelo de Fátima Bernardes. Descemos até à garagem e ele me deu a chave do carro. Eu recusei.

-Não estou em condições de dirigir. Você sabe que esse jantar me deixou com os nervos à flor da pele.

-Calma. Não vai acontecer nada que você não queira. Não sou o monstro que falam. Sei que você é uma mulher especial e pouco ligo se você tem celulite, estrias ou qualquer outra besteira.

Deixamos a Gazeta. Pedi para Paulo ir pelo Aterro do Flamengo, uma paisagem sempre fascinante. Escolhi um CD: The Best of BB King. A noite era própria para ouvir blues. Eu me distraí. Quando saí de uma espécie de transe, Paulo já estava dando as chaves da BMW para o manobrista. Não tinha a mínima idéia onde estava. Entrei num restaurante lotado de celebridades. Fomos direto à mesa reservada por Paulo, que cumprimentou a maioria dos presentes. Não achei isso nem um pouco agradável.

Sentados, o maître mostrou que Paulo era um habitué. Perguntou se ele iria beber o de sempre. Paulo disse que não.

_Quero uma garrafa de Champagne Louis Roederer Cristal Brut da melhor safra que você tiver. É para você e eu, Suzana.

-Estou nervosa. Você já me beijou e eu não me lembrava. Quase fomos para cama. Nunca tive relacionamentos com chefes, muito menos com o dono do jornal. Mas vou beber. Você sabe que posso perder o controle.

-Você não deu nenhum vexame.

-Pode-se comer ostras aqui sem risco de parar no pronto-socorro?

-Pode, mas por que você não pede uma porção de caviar. Sei que você adora.

-Está bem. Vamos falar de negócios enquanto ainda estamos sóbrios. Você sabe que sou uma ótima profissional, mas sou quase uma figura maldita em Brasília. Ninguém questiona meu excelente trabalho, mas inventam horrores ao meu respeito. Se você me quer como diretora da sucursal, desejo um contrato por escrito, com obrigações de ambas as partes. As novas contratações terão que ser aprovadas também por mim. Não quero o Alan enchendo a redação com seus amigos alcoólatras. Sei que a bicha do Alemão é intocável. Nós nos detestamos. Sou profissional. Ele será valioso em algumas situações. A coluna dele não passará por mim, mas qualquer matéria feita pelo sujeito somente sairá após minha autorização. Nem o coordenador de política poderá liberar qualquer reportagem dele. Quero ser indenizada pelo que já gastei no pouco tempo que fiquei no Rio. Nunca poderia imaginar que você me desse esse abacaxi ou esse prêmio. Também quero controlar as despesas dos almoços milionários do Alemão. Gostaria que você pedisse para ele ser mais discreto nas festinhas que promove na boite da sua casa, no Park Way. Ele faz papel de cafetão. Leva jornalistas novas e bonitas e as apresenta ao seus deputados queridinhos. Isso tem que parar. Já virou assunto até no Congresso. Um último detalhe: quero uma verba de representação.

-Você já é diretora Suzana. Faremos isso. Será um contrato com cláusula de confidencialidade. Os diretores têm direito até a uma casa no Lago, pago pelo jornal.

-Por que eu desejaria isso? Morar sozinha numa casa imensa. Prefiro a minha casa e meus pais.

-Está bem, mas o jornal precisa de um local para eventos ou encontros com autoridades, inclusive comigo.

-Isso não é problema. Aluga-se uma suíte presidencial em um hotel. Há restaurantes com espaços reservados.

-Acabou?

-Como?

-Eu quero saber se encerramos o assunto diretora e Gazeta?

-Por hoje sim. Devo ter esquecido alguma coisa.

-Encheu minha taça e a dele. Não deixou o garçom fazer isso. Brindamos a um recomeço. Somente não sabia o que poderia ser isso. O champagne me relaxou e morri de vergonha ao ouvir Paulo contar o que fizéramos juntos, há alguns anos, em Londres. Tenho amnésia alcoólica com pouca ingestão de bebida. Por isso mesmo, ainda estava na primeira taça e ele na terceira. Não me contive e perguntei-lhe se ele gosta mesmo de mulheres ou elas são apenas um objeto para mostrar seu poder. Ele ficou sério.

-Sou complicado como você. Já fui casado, mas não amei minha mulher. Agora, estou mais calmo. Cansei de tanta galinhagem e de mulheres que estão de olho na minha carteira. Sua pergunta demonstra um interesse. Há uma química entre nós.

-Já disse que sou carne velha. Não poderia fazer parte do seu menu. Passei por momentos difíceis e tudo que não preciso é me envolver emocionalmente com o homem errado. Ainda estou frágil e isso poderia me destruir. Tem a persona Suzana. É um personagem que criei para tentar sobreviver. Na verdade, estou ferida, sofrida e decepcionada com o mundo e as pessoas. Nunca fui amarga, mas tenho pavor de que me torne uma pessoa assim. Criei enormes barreiras ao meu redor. Já fiz todas as loucuras que desejei e que são comuns na minha geração. Tenho uma estante imaginária dos amantes que tive, mas que nunca os amei. Sempre os deixei. Acho que só me apaixonei três vezes na vida. Estou fugindo do bicho homem há algum tempo. De qualquer forma, caso fosse para cama com você, seria, também, mais um troféu, só que para você. Sei o destino que você dá a eles. Isso me mataria. Portanto, mesmo com o desejo que sinto, não estou preparada para o que você quer de mim neste momento.

-Você jamais seria um troféu. Obrigada pela confiança. Fui um tolo ao não perceber que você é, ainda, uma menina assustada com a maldade alheia. Não ligue para isso. Eles que são pervertidos, não nós.

-Engraçado. Você falou muito parecido com algo escrito sobre perversão por Oscar Wilde. Eu tenho a obra completa. Vou escrever e dar para você.

Ele tomou minhas mãos. Estavam geladas e tremiam. Tive vontade de chorar. Deu-me seu lenço. Nunca cogitei que ele fosse um homem como meu pai, que sempre traz seu lenço no bolso. É o complexo de Electra. Tomei mais um gole de champagne. O maître surgiu. Ambos escolhemos lagosta com camarão. Ele foi suave e conseguiu me deixar menos atônita.

-Suzana, se eu, algum dia, for para a cama com você, jamais será somente sexo. Não a amo, da mesma forma que você também não me ama. Não nos conhecemos direito. Tenho um profundo afeto por você, mas isso você já sabe.

-Não, não sei. Você terá que me mostrar. Devo estar cega ou muito medrosa.

-As duas coisas.

Ainda estava na segunda taça de Cristal, quando Paulo pediu mais uma garrafa. Perguntei se ele iria se embebedar ou se queria me embriagar.

-Você é fraca para bebida. Sou homem e tenho metabolismo diferente. Continue bebendo sem pressa, comendo esse prato maravilhoso.

-É o mais caro do restaurante. Aliás, até a água mineral custa uma fortuna aqui. Preferiria ter ido a lugar mais discreto. Você é muito conhecido.

Acabei de falar isso e um fotógrafo nos pega em um tremendo fraga, quando nos beijamos. Entrei em parafuso. Paulo levantou da mesa e voltou com o ship na mão.

Acabamos de comer e eu iniciava a terceira e última taça da noite. Não pedimos sobremesa. Eu pedi um conhaque francês e ele me acompanhou.

Fui ao banheiro. Escovei os dentes e retoquei a maquiagem. Caberia somente a mim definir os rumos da noite. E estava hesitante. Ele saiu de Ipanema, onde ficava o restaurante, e foi para Copacabana para me deixar em casa. Pediu para subir. Deixei. Ele estacionou o carro na minha vaga. Meu automóvel estava em Brasília.

A primeira coisa que fiz ao entrarmos foi tomar um banho. Pedi que ele fizesse o mesmo.

-Estamos suados. Gosto de corpos limpos.

Fiz um café e o meu desejo, há tanto tempo adormecido, chegou como um furacão. Ele percebeu. Gostou. Perguntou-me há quanto tempo eu não fazia amor? Falei que não estávamos fazendo amor, mas sexo. Três anos e alguns meses. Transamos tanto que eu, ao acordar, já estava com cistite. Tomei um antibiótico para evitar problemas. Estava dolorida...Ele disse que nunca passaria pela sua mente que fosse uma devoradora.

Fiz um belo café. Disse que isso não mudaria nada. Não fui para a cama com o dono do jornal, mas com o Paulo. Não sei se isso vai se repetir. No momento, eu preciso de um amigo.

-Você sabe que pode contar comigo.

Resolvi ouvir as mensagens na secretária eletrônica. Tirando a dos meus pais, todas eram de homens. O canalha do Alan e outros colegas com convites. Não sabia que o Rio de Janeiro tinha tantos homens disponíveis assim. Apaguei todas e falei para Paulo que eu não estava gostando nem um pouco do assédio do Alan. Já disse ao galinha que não estou disponível e que não saio com homens casados. A expressão facial de Paulo transparecia que ele não apenas não gostou. Ficou furioso. Disse que iria ter uma conversa dura com o seu editor-executivo.

Liguei para meus pais e deitei na cama novamente. Estava com sono. Acordei às 18 horas somente porque meu celular tocava insistentemente. Era o Paulo. Estava subindo. Surgiu com flores do campo e uma cesta recheada de comidinhas e, como não podiam faltar, duas garrafas de Cristal.

-Beijei sua boca, mas disse que eu não suportaria transar. Estava dolorida.

-Quem disse que eu vim aqui para isso?

Dormimos abraçados. Ele acordou primeiro. Preparou um brunch. Despertou-me com um beijo. Era sábado. O domingo foi do mesmo jeito. A única diferença é que pedi para ele comprar uma pomada vaginal e um gel lubrificante. Sexo só na manhã de segunda-feira. Liguei para o Alan e disse que tinha problemas e somente chegaria às 14 horas. Ele, dono do jornal, não devia satisfação a ninguém. Chegamos juntos, mas desta vez eu dirigi o carro. Tivemos sorte porque não encontramos ninguém na garagem.

Pela primeira vez na vida, não me sentia culpada por transgredir uma norma (onde se ganha o pão, não se come a carne). Trabalhei feito uma louca até meia-noite. Fui para casa e não atendi nenhuma ligação. Precisava realmente dormir.

MARVIN GAYE – SEXUAL HEALING –EXTEND VERSION


Sexual Healing
Cura Sexual
BEN HARPER MARVIN GAYE


Ooh, baby let's get down tonight
Baby I'm hot just like an oven
I need some lovin'
And baby, I can't hold it much longer
It's getting strongerstronger
And when I get that feeling
I want Sexual Healing
Sexual Healing, baby
Makes me feel so fine
Helps to relieve my mind

Sexual Healing baby, is good for me
Sexual Healing is something that's good for me
Whenever blue tear s are falling
And my emotional stability is leaving me
There is something I can do
I can get on the telephonecall you my baby, and
Honey I know you'll be there to relieve me
The love you give to me will free me
If you don't know the things you're dealing
I can tell you, darling, that it's Sexual Healing

Get up, Get up, Get up, Get up, let's make love
tonight
Wake up, Wake up, Wake up, Wake up, 'cos you do it
right
Baby I got sick this morning
A sea was storming inside of me
Baby I think I'm capsizing
The waves are risingrising
And when I get that feeling
I want Sexual Healing

Sexual Healing is good for me
Makes me feel so fine, it's such a rush
Helps to relieve the mind,it's good for us
Sexual Healing, baby, is good for me
Sexual Healing is something that's good for me
And it's good for meit's good to me

My baby ohhh
Come take control, just grab a hold
Of my bodymind
soon we'll be making it
Honey, oh we're feeling fine
You're my medicine open uplet me in
Darling, you're so great
I can't wait for you to operate
Get up get up get up get up
let´s make love tonight
wake up wake up wake up wake up
cause you do it right

..............

Meu bem, não estou como se estivesse amando, preciso do teu amor
Meu bem, não vou aguentar por muito tempo, este desejo está ficando cada vez mais forte
E quando eu sinto esta emoção, eu quero cura sexual, cura
sexual
Oh meu bem, isso me faz sentir tão bem, ajuda a aliviar a minha mente
Cura sexual, meu bem, funciona para mim, cura sexual é algo
Que é muito bom para mim, sempre que lágrimas tristes começam a cair
E minha estabilidade emocional está me abandonando, há algo que eu posso fazer
Eu pego o telefone e te ligo, meu bem, e eu sei que você vai
estar lá
Para me orientar
O amor que você me dá vai me libertar, se você não sabe daquilo que você está dando
Eu posso te dizer, querida, é cura sexual
Levante-se, levante-se... vamos nos amar esta noite
Faça, faça, porque você sabe como fazer direitinho
Meu bem, eu fiquei doente esta manhã, porque estava amanhecendo dentro de mim
Meu bem, eu acho que estou capotando e as ondas estão se
crescendo e crescendo
E eu sinto esta emoção, eu quero cura sexual
Cura sexual é muito bom pra mim, me faz sentir tão bem, é uma cura sexual
Ajuda a aliviar a mente e é muito bom para nós
A cura sexual, baby, é boa pra mim
A cura sexual é algo que é muito bom
Bom para mim, meu bem
Não consigo me controlar, pegue o meu corpo inteirinho e então, logo, logo
Nós estaremos nos amando, meu bem, oh, você está indo bem
Você é o meu remédio, abra esta final feliz
Querida, você é espetacular, não posso esperar mais para que você venha me operar
Não consigo esperar mais para te ver operando
Levante-se, levante-se, vamos nos amar esta noite
Faça, faça, porque você sabe como fazer direitinho
Não consigo mais esperar para te ver operando
E quanto eu sinto esta emoção, eu quero cura sexual

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