Depois da bomba que Paulo, nome da Esfinge, jogou no meu colo, tive que vestir uma máscara. Eu me sentia mal escondendo algo grave e sério que afetaria a vida de muitos profissionais.
Fiquei praticamente muda na reunião de editores e repórteres especiais com o dono da Gazeta. Ao contrário da minha personalidade, aprendi que o silêncio é estratégico em determinadas situações.
Um editor fora de órbita sugeriu que eu fizesse uma matéria sobre o homossexualismo nas Forças Armadas. Foi o único momento em que me manifestei.
-Não faço isso de forma alguma. Já recebi essa pauta quando trabalhava no Mercúrio. Tive um trabalho danado, fui ameaçada na minha própria casa. O esforço de mais de um mês foi para o lixo e fui humilhada em plena redação por um dos diretores mais arrogantes da sucursal em Brasília. Disse que Bob, o publisher mais esquisito com quem já trabalhei, falara que aquilo que escrevi poderia ser tudo, menos jornalismo. Queria que eu desse nomes de supostos generais e coronéis envolvidos com homossexualidade. Ora, os militares têm uma política extremamente dura quanto a isso. Os oficiais são sumariamente passados para a reserva. O Bob que fosse a Brasília, fizesse a matéria, assinasse-a com seu nome de purpurina, colocasse o nome de todos e usasse os milhões do papaizinho para pagar as ações por injúria, calúnia, difamação e danos morais. Ele não sabe nada da área militar. Tem preconceito e não vou passar por isso de novo.
IRON MAIDE- FEAR OSF THE DARK
I am a man who walks alone
And when Im walking a dark road
At night or strolling through the park
When the light begins to change
I sometimes feel a little strange
A little anxious when its dark
Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that someones always near
Fear of the dark, fear of the dark
I have a phobia that someones allways there
Have you run your fingers down the wall
And have you felt your neck skin crawl
When youre searching for the light?
Sometimes when youre scared to take a look
At the corner of the room
Youve sensed that somethings watching you
Have you ever been alone at night
Thought you heard footsteps behind
And turned around and no ones there?
And as you quicken up your pace
You find it hard to look again
Because youre sure theres someone there
Watching horror films the night before
Debating wiches and folklore
The unkown troubles on your mind
Maybe your mind is playing tricks
You sense and suddenly eyes fix
On dancing shadows from behind
Fear of the dark, fear of the dark
I have a constant fear that someones always near
Fear of the dark, fear of the dark
I have a phobia that someones allways there
When Im walking a dark road
I am a man who walkes alone
-Suzana, aqui não é o Mercúrio e não somos irrealistas. Sabemos das dificuldades. Se você não deseja fazer, vamos deixar para outra época, disse um dos editores.
Paulo me salvou: - Não vou desperdiçar o talento da Suzana com essa pauta fora da ordem. Já dei uma tarefa para ela nesta semana e ela não ficará disponível para nenhuma editoria.
Sei que isso poderia iniciar boatos de que eu seria a “nova queridinha”. Não me preocupo mais com isso. Agradeci os convites para comemorações noturnas. Usei o argumento de que ainda estava me acostumando com tantas mudanças e que uma boa noite de sono era tudo que eu precisava.
Como a Esfinge mandou, fui me encontrar com o misterioso Alan. Inicialmente, ele queria jantar no Antiquarius. Disse que adoro o restaurante, mas não para jantar. Como pouco à noite e, de preferência algo leve. Sugeri um restaurante japonês em Copacabana.
Cheguei cedo e tive que esperar esse maldito Alan por uma hora. Já estava indo embora quando ele chegou.
-Você não iria me esperar?
-Não. Acho extremamente grosseiro um homem fazer uma mulher esperar por ele tanto tempo em um restaurante, ainda mais por se tratar de absolutamente business. Para minha surpresa, eu conhecia aquele que conduziria a reforma do jornal.
-Você tem razão. Desculpe-me.
-Eu não sei o que estou fazendo aqui. Portanto, quero ouvir mais do que falar.
-Você já sabe do processo enorme de mudança que vai ocorrer na Gazeta. Vai haver demissões. Teremos um novo formato gráfico para o jornal. Seções mais ligadas ao dia-a-dia do consumidor. Não queremos mais aquelas matérias em economês. Desejamos textos mais explicativos e o impacto disso para o país e a vida do leitor. Teremos um caderno novo que circulará aos domingos.
-Estava na hora. A Gazeta é um jornal que fez história e está sem identidade. Uma diagramação suja. A sucursal de Brasília parece um paraíso para repórteres chapa - branca ou que desejam sombra e água fresca. Está cheia demais e com jornalistas ganhando fortunas e produzindo material sem qualidade. Não sei como o Paulo consentiu uma sucursal com três diretores. Aquilo virou a casa da mãe Joana.
-Concordo com você. Brasília será o alvo da primeira mudança e não será delicada. Bem, eu e Paulo decidimos que, nesse processo inicial, você vai ser minha assistente. Paulo vai dar um nome bonito para isso. Eu preciso da sua experiência em Brasília.
-Mas eu não tenho um milésimo do seu preparo e cursos sobre como fazer um jornal. Eu fiz um workshop com você.
-Eu sei disso. Foi a que teve a melhor performance. Já acertei com Paulo que, a partir de amanhã, trabalharemos juntos. Vou apresentá-la a algumas pessoas que trabalharão na Gazeta.
-Eu pensei que fosse ser apenas repórter
-Você deveria se sentir orgulhosa por Paulo confiar em você. Não se preocupe. Vai dar certo. Você está menosprezando seu potencial. Você é um das mulheres mais inteligentes que conheço. É bom e ruim. A maioria dos brasileiros teme as que possuem um cérebro privilegiado. Agora, vamos deixar esse papo chato de lado. Você quer um saquê?
-Não. Estou de dieta e com enxaqueca.
-Você tem notícias da Viviane?
-Viviane? Nunca me passaria pela cabeça que você pudesse ser uma das suas vítimas. (Não consegui segurar o riso).
-É verdade que ela levou uma surra do Presidente do SDA?
-É. Teve que se esconder durante um mês na casa de praia do melhor amigo do espancador. Foi um enorme escândalo. Não foi só ela que apanhou de autoridades.
-E aí?
-Deveria cobrar por essa consultoria sexual sobre Viviane.
-Pensei que vocês fossem amigas.
-Também pensei.
-Ela ainda tem caso com o cara?
-Alan, o "cara" se separou da mulher e passou a circular, inclusive em viagens ao exterior com ela. Não foi um caso. Eles moraram juntos, entende? Como já era previsível, o político voltou para os braços da ex-mulher, que por sinal, mesmo mais velha que Viviane, é linda, classuda e muito inteligente. Eu a conheci.
-E por onde anda a Viviane?
-É diretora de uma empresa de comunicação. Trabalha em Brasília. Usou muito a influência de quem lhe aplicou uma bela surra para conseguir algumas vantagens, como cursos no exterior, inclusive um de mais de um ano, período em que se licenciou do jornal.
Você não quer mesmo tomar um drink em outro lugar?
-Não. Acabamos por hoje?
-Sim.
-Ótimo. Moro aqui perto e vou caminhando.
-Não prefere que eu a leve?
-De forma alguma. Meu apartamento é perto e não tenho medo da fauna da Avenida Atlântica. Já cumprimento as putas que fazem ponto perto do meu prédio. Elas são minha segurança.
Cheguei em casa com uma enorme dor na nuca de tensão. Preciso localizar o André. Não me importa quanto esse DDI vai custar. Vou acordá-lo. Que segredo eu guardo do Paulo? Eu disse aquilo por pura intuição. Fiquei chocada com os tentáculos da Viviane, uma autêntica oportunista. É uma falsa, sem caráter algum. Fez e faz qualquer coisa para conseguir aquilo que deseja. Se ela escrevesse um diário de alcova, seria um verdadeiro best seller ao narrar os tipos de homem que passaram pela sua cama.
Acordei André em Londres. De madrugada. Ele faz o mesmo comigo. Falei das novidades e perguntei o que aconteceu naquele final de semana infernal, no qual uma simples repórter, um diplomata rico, de uma família tradicional, e um dono de jornal aprontaram todas.
André ficou surpreso? E me perguntou se eu não lembrava mesmo? A resposta dele quase me fez cair da poltrona. “Você e Paulo dançaram o tempo todo, sempre juntos. Em uma das salas vips de um dos clubes mais caros de Londres, ele pagou inúmeras garrafas de Cristal por que você disse que nunca as tinha tomado. Saí da sala Vip e caí na gandaia com amigos que estavam no clube. Quando voltei, encontrei vocês dois se beijando sem parar. Não se preocupe por que não aconteceu nada de mais. Você se recusou a passar a noite no Ritz com ele. Disse que ele lhe dava medo. Ele insistiu muito, mas você voltou para casa comigo. Você uma das poucas mulheres que lhe disse não.
Ele apareceu de surpresa alguns dias depois. Trouxe chocolate belga e garrafas de Cristal. Você já havia seguido para Brasília e ele partiu no dia seguinte. Não se torture por isso. Vou ligar para ele hoje e sondar o ambiente. Se ele a contratou, obviamente, é por que a respeita como profissional. Continue posando de lady. Sei que você não vai conseguir dormir. Tome uns dois comprimidos de calmante e esqueça tudo isso. Você já foi muito castigada e maltratada pelos invejosos. No fundo, Su, ele deve ter um tipo de afeto por você, mas mantenha uma postura profissional. Sei que vocês sentem uma forte atração um pelo outro, mas ambos podem se tornar uma bomba atômica. Conheço-os muito bem. Vão acabar se machucando por causa das personalidades de vocês.
Meu Deus! Meu passeio pelo Wild Side envolveu a Esfinge. E eu pensava que o segredo dele seria speeds e ácidos que poderia ter consumido...Não me senti culpada. Não sei explicar o motivo. Beijar na boca faz bem. Graças a Deus, Iemanjá, São Jorge, Santo Antônio, Buda, Shiva, Nossa Senhora da Aparecida, Alá ...conservei um pouco de lucidez.
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